O que uma simples sacola de supermercado pode nos ensinar sobre comunicação ambiental
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Foi exatamente isso que aconteceu comigo.
Gosto de comprar frutas e verduras na fruteira porque peso tudo diretamente no caixa. Dessa forma, consigo evitar o uso daqueles saquinhos plásticos individuais e dos adesivos em cada produto, reduzindo a quantidade de resíduos gerados.
Mas, dessa vez, esqueci minha ecobag e trouxe as compras em uma sacola plástica.
Ao chegar em casa, uma frase estampada na embalagem chamou minha atenção: "Sacola Biodegradável".
Como engenheira ambiental, meu primeiro impulso foi virar a sacola e procurar mais informações sobre o material. Foi aí que encontrei uma comunicação contraditória.
De um lado, a embalagem informa que é produzida em PEAD (polietileno de alta densidade) e que é 100% reciclável. Do outro, afirma que o material "não somente microfragmenta o plástico, como também o biodegrada, tendo como resultado final H₂O, CO₂ e húmus", além de apresentar a norma ASTM D6954.
O que significa a ASTM D6954?
A ASTM D6954 é frequentemente utilizada em embalagens que desejam transmitir uma imagem de sustentabilidade. No entanto, existe uma confusão bastante comum sobre o seu significado.
Essa norma não certifica que um plástico seja compostável e não garante que ele se transforme em húmus. Na verdade, trata-se de um guia para avaliação de plásticos degradáveis, normalmente associados ao uso de aditivos pró-degradantes. Ela não equivale às certificações de compostabilidade, como a ASTM D6400 ou a EN 13432.
Ou seja, utilizar a ASTM D6954 para sugerir que uma sacola pode ser compostada ou que "vira húmus" é uma comunicação que pode induzir o consumidor a uma interpretação equivocada.
Quando a comunicação ambiental se torna um problema
A sustentabilidade não depende apenas de desenvolver produtos com menor impacto ambiental. Ela também depende da forma como esses produtos são comunicados.
Quando uma embalagem utiliza termos como biodegradável, ecológico ou compostável sem apresentar informações claras e tecnicamente corretas, existe o risco de caracterizar uma prática de greenwashing — ou seja, uma comunicação ambiental que exagera, simplifica ou distorce os benefícios ambientais de um produto.
Nesse cenário, quem perde não é apenas o consumidor, que recebe uma informação confusa. As próprias empresas também podem ser prejudicadas.
A responsabilidade vai além do fabricante
Existe um aspecto que muitas vezes passa despercebido.
O consumidor dificilmente sabe quem fabricou a sacola. Para ele, aquela embalagem representa a empresa onde realizou a compra.
Assim, mesmo que o estabelecimento apenas tenha adquirido a embalagem de um fornecedor, uma comunicação ambiental equivocada acaba sendo associada à sua marca, podendo comprometer sua credibilidade perante clientes cada vez mais atentos às questões ambientais.
Por isso, escolher fornecedores também significa avaliar a qualidade das informações que acompanham os produtos e as embalagens.
Comunicação também faz parte da sustentabilidade
Nos últimos anos, consumidores passaram a valorizar empresas comprometidas com a agenda ambiental. Esse movimento é extremamente positivo, mas também exige mais responsabilidade na forma como as informações são apresentadas.
Mais do que utilizar palavras que remetem à sustentabilidade, é preciso garantir que elas sejam tecnicamente corretas, transparentes e facilmente compreendidas pelo público.
Afinal, comunicar sustentabilidade não é apenas uma estratégia de marketing. É um compromisso com a informação de qualidade, com a educação ambiental e com a confiança do consumidor.
Porque, no fim das contas, comunicar sustentabilidade exige a mesma responsabilidade que praticá-la. 🌱
Texto e foto: Eduarda Lindenmeyer Jaeger





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